Um classificador que responde perguntas fechadas custa centavos por edição e acertou onde minhas regras falhavam. Mas, das oito tarefas em que o testei, ele ficou com três.
Todo dia a diar.ia.br passa por dezenas de decisões pequenas antes de chegar ao seu e-mail. Este link é lançamento ou notícia? Esta matéria é a mesma história que já dei anteontem, com outro título? Este texto fala do Brasil ou só saiu num site brasileiro? Nenhuma exige escrever nada, mas todas exigem entender o texto.
Durante muito tempo, respondi a elas de dois jeitos. Um é regra escrita à mão (código "normal"): listas de palavras, comparação de títulos, domínio do site. É barata e previsível, e erra sempre do mesmo jeito. O outro é pedir a um modelo de linguagem grande, como os que escrevem a newsletter, que leia e opine. Acerta mais, mas custa caro e às vezes responde com um parágrafo quando eu queria um sim ou um não.
Em setembro, testei uma terceira via. Eu tinha dois objetivos: fazer a produção da edição rodar mais rápido e gastar menos da minha cota de uso do Claude, que hoje é o que limita quanto a diar.ia.br consegue fazer por dia. Aqui conto onde ela entrou e, mais que isso, onde decidi que não entraria.
Jev é um modelo da empresa TypeSafe, lançado em 15 de setembro de 2026 (na API, jev-latest). A TypeSafe o chama de modelo "System One": em vez de texto, ele devolve decisões tipadas. A diferença para um LLM "comum" está no formato da conversa.
Com um ChatGPT ou um Claude, você escreve um pedido e recebe texto de volta. Com o Jev, você manda um pequeno pacote de dados sobre um item (o título e o resumo de uma matéria, por exemplo) e uma lista de perguntas fechadas. Ele só sabe responder de três formas:
A resposta nunca vem em texto livre, então não há justificativa bonita nem mudança de formato no meio do caminho. Uma mesma chamada responde várias perguntas sobre o mesmo item ao mesmo tempo, e cada uma sai isolada das outras.
É barato: cerca de US$ 0,04 por milhão de tokens (as unidades de texto que os modelos processam) de entrada, e a saída não é cobrada. Uma edição inteira da diar.ia.br passando pelo Jev custa cerca de US$ 0,04. Para comparar, uma edição produzida com os modelos grandes consome dezenas de milhões de tokens, o equivalente a algo entre US$ 40 e US$ 190 em preço de API nas edições de setembro, com mediana perto de US$ 75 (estimativa, provavelmente um pouco acima do real). A diar.ia.br usa a assinatura do Claude e não paga por token, mas a conta dá a ordem de grandeza da diferença: mais de mil vezes.
Há limites que pesaram nas decisões. O Jev só lê texto, sem imagem. Foi treinado principalmente em inglês, e o próprio fornecedor avisa que, em outros idiomas, o desempenho varia e é preciso testar antes de confiar. A TypeSafe também é uma empresa nova, sem página de preços pública. Por isso tudo que o Jev faz aqui tem uma saída de emergência: se a API cair, a pipeline (a sequência de etapas automáticas que monta cada edição) volta a funcionar como antes, sem travar a edição.
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